O Medo e a Cidade
"É bem sabido que todas as vedações têm dois lados. Dividem um espaço uniforme em exterior e interior. Mas os que se encontram de um dos lados da vedação vêem o exterior onde os que estão de outro lado vêem o interior. Os residentes dos condomínios isolam-se, por meio da sua vedação, do caos e da dureza que tornam a vida urbana desconcertante, desagradável e vagamente ameaçadora, e ficam reclusos num oásis de clama e segurança. Ao mesmo tempo, contudo, separam os outros dos lugares decentes e seguros, cujos valores estão dispostos a defender encarniçadamente, e abandonam-nos às mesmas ruas sórdidas e miseráveis de que fugiram sem olhar a despesas. A vedação separa o ghetto voluntário dos ricos e dos poderosos dos inumeráveis ghettos forçados em eu os deserdados vivem. Para os que fazem parte do ghetto voluntário, os restantes ghettos são lugares onde nunca porão os pés. Para os habitantes dos ghettos involuntários, em contrapartida, o território a que estão confinados (ao verem-se excluídos de todos os outros lugares) é um espaço do qual se encontram proibidos de sair."
“Como afirma Nan Ellin, «sem margem para dúvidas, o medo [na construção e reconstrução das cidades] agudizou-se, como sugere o aumento do número de casas e veículos fechados à chave, a abundância de alarmes, a grande aceitação de que gozam de zonas de habitação cercadas e seguras entre pessoas de todas a cidades e salários, bem como a vigilância cada vez maior dos lugares públicos, além das intermináveis notícias alarmistas difundidas pelos meios de comunicação.»”.
“A formação de um conceito coerente da sociedade traz consigo o desejo inato de não querer participar nela. O sentimento que nos une aos outros sem compartilharmos as suas experiências surge porque nos assusta a participação na sociedade, assustam-nos os perigos e ameaças que essa participação implica, bem como a dor que isso nos pode causar.”
“Como afirma Nan Ellin, «sem margem para dúvidas, o medo [na construção e reconstrução das cidades] agudizou-se, como sugere o aumento do número de casas e veículos fechados à chave, a abundância de alarmes, a grande aceitação de que gozam de zonas de habitação cercadas e seguras entre pessoas de todas a cidades e salários, bem como a vigilância cada vez maior dos lugares públicos, além das intermináveis notícias alarmistas difundidas pelos meios de comunicação.»”.
“A formação de um conceito coerente da sociedade traz consigo o desejo inato de não querer participar nela. O sentimento que nos une aos outros sem compartilharmos as suas experiências surge porque nos assusta a participação na sociedade, assustam-nos os perigos e ameaças que essa participação implica, bem como a dor que isso nos pode causar.”


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