esculpices

sexta-feira, setembro 29, 2006

À procura das cruzes

Amin Maalouf
Amin Malouf, escritor de origem libanesa a viver em França desde 1976, faz estas observações no epílogo do seu livro “As cruzadas vistas pelo Árabes”, editado em 1983. São 23 aninhos.
“Enquanto para a Europa Ocidental a época das cruzadas era o despontar de uma verdadeira revolução, simultaneamente económica e cultural, no Oriente estas guerras santas iam desembocar em longos séculos de decadência e obscurantismo. Assaltado por todos os lados o mundo muçulmano ensimesma-se. Ele volveu-se suspeitoso, defensivo, intolerante, estéril, outras tantas atitudes que se agravam à medida que prossegue a evolução planetária, relativamente à qual se sente marginalizado. O progresso é, doravante, o outro. O modernismo é o outro. Dever-se-ia a própria identidade cultural e religiosa repudiando este modernismo que o Ocidente simbolizava? Dever-se-ia, pelo contrário, enveredar resolutamente pela via da modernização correndo o risco de perder a identidade? Nem o irão nem a Turquia, nem o mundo árabe lograram resolver tal dilema; e é por isso que hoje em dia se continua a assistira uma alternância muitas vezes brutal entre fases de ocidentalização forçada e fases de integrismo exagerado, fortemente xenófobo.
Simultaneamente fascinado e apavorado por esses Franj [ocidentais] que ele conheceu ainda bárbaros e venceu, mas que, desde então, conseguiram dominar a Terra, o mundo árabe não pode resolver-se a encarar as cruzadas como um simples episódio de um passado enterrado. Ficamos frequentemente surpreendidos ao descobrir até que ponto a atitude dos árabes, e dos muçulmanos em geral, com respeito ao Ocidente continua ainda hoje influenciada por eventos que julgaríamos terem visto o seu termo há sete séculos.
Ora em vésperas do terceiro milénio, os responsáveis políticos e religiosos do mundo árabe referem-se constantemente a Saladino, à queda de Jerusalém e à sua retomada. Israel é assimilado, tanto na acepção popular como em certos discursos oficiais, a um novo estado cruzado. (…)
Num mundo muçulmano perpetuamente agredido, é impossível impedir a emergência de um sentimento de perseguição que adquire em certos fanáticos, a forma de uma perigosa obsessão: acaso não vimos todos, a 13 de Maio de 1981, o turco Mehemet Ali Agcar disparar sobre o papa depois de ter explicado numa carta: Decidi matar João Paulo II, comandante supremo dos cruzados. Para além deste facto individual, é óbvio que o Oriente árabe continua a ver no ocidente um inimigo natural. Contra este, qualquer acto hostil, seja ele político, militar ou petrolífero, não é mais que legítima desforra. E não podemos duvidar que a fractura entre esses dois mundos data das cruzadas, ainda hoje encaradas pelos Árabes como uma violação”

Efeitos Especiais


O vulcão Ekla e a Aurora (Islândia)

Sombrero

A Galáxia do Sombrero
Pourquoi la Galaxie du Sombrero ressemble-t-elle à un chapeau ? Parce que le bulbe central plein d'étoiles particulièrement grand et les vastes bandes de poussière sombre du Sombrero sont vues presque de profil. Des milliards de vieilles étoiles provoquent la lueur diffuse du vaste bulbe central. Une inspection minutieuse du bulbe sur la photographie ci-dessus révèle de nombreux points de lumière qui sont en réalité des amas globulaires. Les anneaux de poussières spectaculaires de M 104 abritent de nombreuses étoiles plus jeunes et brillantes et montrent une grande richesse de détails que les astronomes ne comprennent pas encore totalement. Le coeur du Sombrero brille à travers tout le spectre électromagnétique, et abriterait un gros trou noir. La lumière de la Galaxie du Sombrero, qui a mis 50 millions d'années à nous parvenir, est visible avec un petit télescope en direction de la constellation de la Vierge.

Estamos fechados?

A espiral fechada da via láctea

"Une étude récente des étoiles conduite par le télescope spatial Spitzer a convaincu les astronomes que notre galaxie de la Voie Lactée n'est pas une galaxie spirale ordinaire. En regardant depuis l'intérieur du disque galactique, la vraie structure de la Voie Lactée est difficile à discerner. Cependant, le recensement d'environ 30 millions d'étoiles par infrarouges pénétrants indique que la galaxie se distingue par une très grande barre centrale de quelque 27 000 années-lumière de long. En fait, d'un point de vue permettant de voir notre galaxie de face, les astronomes des galaxies lointaines voient probablement une remarquable galaxie spirale barrée suggérée dans cette vue d'artiste. Alors que des investigations antérieures avaient identifié une petite structure centrale barrée, les nouveaux résultats indiquent que la grande barre de la Voie Lactée ferait un angle d'environ 45° avec la ligne joignant le Soleil au centre de la galaxie. NE PANIQUEZ PAS... les astronomes placent toujours le Soleil au-delà de la région centrale barrée, à environ un tiers du rayon de la Voie Lactée en partant du bord."

(http://www.cidehom.com/apod.php?_date=050825)


sexta-feira, setembro 22, 2006

O Olho

A morte de uma estrela

Contrastes


Même s’il se trouve à 150 millions de kilomètres de nous, le Soleil est très dangereux pour nos yeux. Aussi, il faut prendre beaucoup de précautions et disposer d’un équipement spécial pour réaliser une image comme celle-ci. Cette exceptionnelle perspective, photographiée le 17 septembre 2006, nous permet de saisir un moment particulier de la vie de la navette Atlantis et de la Station Spatiale Internationale en orbite autour de la Terre. Alors que les deux vaisseaux se trouvaient à 550 kilomètres de Mamers, en Normandie, France, la navette Atlantis (à gauche) venait de se désarrimer de la station spatiale et s’en était éloignée de quelque 200 mètres. Demain, un autre satellite de la Terre pourra être aperçu en silhouette devant le Soleil : la Lune va éclipser le Soleil. Cette dernière éclipse de 2006 sera visible sous la forme d’une éclipse annulaire de Soleil le long d’une bande de terrain qui parcourra le nord de l’Amérique du Sud ainsi que l’Atlantique Sud.

Luz e Sombra 2


Sonda Cassini

Luz e Sombra 1


Sonda Cassini

quinta-feira, setembro 21, 2006

Poesia 4

almas frias habitadas por esqueletos.
as palavras. são álibis distraídos.
aforismos incrédulos. abrem-se
dos músculos. vomitam-se os verbos.
porque a vida rebela-se. amo o asco
e os sombrios sujeitos do quotidiano.
pretendo os limites. para jejum
da alquimia. não aceiro o vinho
que embriaga o ouro. justifico o desdém
da ignorância. é que me envergonho.
trago o rosto que sou. e vou embora.
há viagens dentro de nós. nas manhãs
esquecidas. as distâncias do absurdo
percorridas. e soçobra a sombra iníqua
da mentira. faço frente aos umbigos
e rio. para a navegação do ego
trago um barco de horas e pasmo
para celebrar. os vultos fogem.

(jorge silva oliveira)

Poesia 3

o teu corpo é um verso perverso.
só o dispo sem condições.
as emoções disponíveis e nuas.
não saberei amar-te sem solidão.
és bela como uma dor furtiva.
chamas-me e não sei o teu nome.
prefiro enlouquecer a sonhar.
não te escolho para adiar solidão.
as minhas mãos querem-te dentro.
amarrada ao meu olhar.
a tua beleza não a quero na poesia.

(jorge silva oliveira)

Poesia 2

ardem pombos sobre os telhados.
o voo surdo das aves.
a penumbra sonora dum alerta.
manchas de cio.
círculos de asas que se desenham.
o espaço amplo alando-se.
vertiginosas semelhanças que se esquivam.
vai anoitecendo nos meus olhos.
os pombos apagam-se na preguiça.
já não há imaginação.
a luz chega primeiro às palavras.
o poeta quer o silêncio queimado.

(jorge silva oliveira)

Poesia 1


magnólias inacabadas.
crisântemos perto dos espelhos.
gardénias imberbes.
jasmim caído a caiar sombras.
uma azálea bêbeda no crepúsculo.
lótus escondidos na argila da luz.
nenúfares cansados pela sede.
as rosas picam a respiração.
cravos militam nas promessa da água.
orquídeas banham-se em melancolia.
maios despedem-se dos caminhos.
e eu procuro um jardim para o tédio.

(Jorge Silva Oliveira)

Insónia

No fim do banho matinal olhei-me ao espelho e pensei: uma noite de insónia estraga qualquer um. Sorri sem vontade. Tinha passado a noite em passos sem volta oriundos do Elogio da Loucura, um clássico do século XVI escrito por Erasmo de Roterdão (amigo de Thomas Morus) onde se podem encontrar páginas de irreverência quase sarcástica e que permanece tão actual como no dia em que saiu: “..., se os tumultos inúmeros dos mortais pudessem ser observados da lua,..., julgaríeis ver milhares de moscas e de mosquitos envolvidos em rixas, guerras, insídias, rapinas, ludíbrios, lascívias, nascimentos, quedas e mortes. Não acreditaríeis nas perturbações e nas tragédias causadas por um animalzinho destinado a morrer”.

Será o sapiens comum salvador deste mundo que abriu portas e janelas à mais mísera loucura? Tudo é permitido neste planeta. Vemos aviões de passageiros derrubar arranha-céus; mísseis de cem milhões de dólares bombardearem mendigos, cabras e crianças; esporos de gado semearem o pânico nos labirintos dos capitólios, políticos envaidecidos aclararem a voz para exprimir simplicidades arruinadas; intelectuais com cérebro de migalha desfiarem pensamentos ao serviço do patrão que lhes paga. Quem nos vai retirar desta encruzilhada? Teremos que ir para um não-sítio, espaço alternativo para a deserção? Será o simpático padeiro, o condutor de autocarro, a caixa de supermercado, o trabalhador simples e eficaz, todos esses onde notamos uma energia misteriosa quando entregamos a nossa mão. Mas temos que estar tão vivos como eles. São esses que depois de sete palmos de terra ressuscitam ao sétimo dia, abandonam a sepultura como Lázaro, sacodem o pó e regressam à rua com uma nova alma. Os outros… enchem os restaurantes, dançam nas discotecas, tocam as buzinas nos engarrafamentos, gritam nos estádios e discutem no parlamento. Estão mortos, ainda que não tenham sido enterrados. “Enfim, qual seja o lado para que te vires, pontífices, príncipes, juízes, magistrados, amigos, inimigos, todos procuram o metal sonante; todos fogem do sapiente que despreza os mais apetecidos bens.”

A superioridade da nossa cultura ocidental pode ser uma "blasfémia", sobretudo quando encaramos uma personalidade ilustre como Omar Khayyam, poeta persa do século XI e exemplo paradigmático da poesia universal. Paço a transcrever e desculpem a tradução:

Quando tivermos partido sem deixar nenhum rastro
o sol não modificará suas leis e ciclos
já viveu sem nós inúmeros séculos
e não é para nosso deleite que brilha o ardente astro.

A terra é um mosaico de deusas e crenças
de clérigos, profetas, livros sagrados e textos
impiedade, fé, pecado, são só pretextos
que os homens invocam para lutar como feras.

Ao mundo me trouxeram sem meu consentimento
e os olhos abri com surpresa infinita
partirei depois de repousar um tempo
sem saber a razão de minha entrada e saída.

Em mesquitas e igrejas, buscando a verdade
falei com xeques, santos, filósofos e sábios
escutei as sentenças que surgiram de seus lábios
e saí pela porta que utilizei ao entrar.

Podemos viver sem pecar, oh infelizes mortais?
Que coração está limpo de maldade ou malícia?
Mas se Deus me castiga por causa de minhas maldades
tão mau como eu será o Deus que castiga.

Quando alguém vê, sente, escuta, cheira e ouve algo que os outros, nas mesmas circunstâncias, não partilham, costuma dizer-se que essa pessoa está sob o efeito de uma experiência alucinatória, ou então que está completamente louca. As causas podem ser múltiplas ou nenhuma: drogas, stress, medo, desordem orgânica ou desequilíbrio neurotransmissor. Desde sempre que se procura uma explicação para o como e o porquê das vozes inexplicáveis e visões sobrenaturais e, a não ser casos muito específicos e concretos, as respostas são sempre insatisfatórias. Existe uma dificuldade evidente em conhecer e definir estas presumíveis patologias alucinatórias a que ninguém é imune, seja qual for a sua saúde e cultura.


Kierkegaard dizia que a angústia é o temor do que se deseja ou medo simultâneo da vida e da morte. Seremos fantasmas que se relacionam com os outros como num teatro de sombras de passos vacilantes? Desconhecemo-nos a nós mesmos como desconhecemos os nossos semelhantes e estabelecemos as nossas relações sobre frágeis e tremerosas pontes levadiças.
Só um esforço teimoso e persistente e escutando as vozes menosprezadas de sabedorias milenares ou a brusca irrupção de uma estrela luminosa, que se pode seguir a uma crise pontual e imprevista, poderá levantar os espessos estores guardadores do nosso sono ligeiro. Abrimos os olhos e quase cegamos, despertos (como na caverna platónica); tomamos consciência de nós e do resto do mundo, antes tão fugidio; o sentir e o pensamento entram em estado de fusão; as erróneas torpezas da emoção e da percepção tornam-se óbvias; saímos da nossa pequena, doméstica e obediente razão como de uma prisão resignada; e estamos em campo aberto com a grande luz indescritível, com o fulgurante tesouro da realidade real, e com o Eu inequívoco que esperava lá fora desde o início.
Ou continuamos a preferir a dentada na maçã anestesiadora da bruxa má e adormecemos tranquilos e inconscientes num sono hipnótico e letárgico?
Em inícios do século XXI e depois das atribuladas passagens de milénio e século (duas vezes) e confrontado com os apocalipses diários não resisto a citar um livrinho escrito em 1898 por um escritor maldito e votado ao esquecimento - Oskar Panizza – e que é exemplo único e superior do melhor em sátira política: “Teremos nós de continuar a tolerar isto? Teremos nós que admitir que apareça um indivíduo qualquer, com a sua importância pessoal, com a cabeça cheia do seu bocadinho de fermento espiritual, com a sua pitada de miolos, e venha envenenar as massas e deseducá-las para a desobediência ao Estado? Hoje, quando os governos dispõem de medidas repressivas e o intelecto monárquico guiado por Deus dispõe de informações suficientes para aniquilar com um parágrafo, de um só golpe, todos estes pequenos arruaceiros, este diiminorum gentium, estes pequenos espíritos sequiosos de produzir qualquer coisa do alto das cagadeiras em que se montam? (...) Nós, que sabemos que basta que estas ideias sejam pronunciadas, apresentadas numa assembleia, impressas em papel, para que fiquem a roer continuamente (a roer por mais tempo que o bicho desse mesmo papel) e transmitem a sua influência aos séculos que se seguem. (...) Que dirão de nós os séculos vindouros? Que não usamos o aparelho burocrático como espremedor de limões para aniquilar todos aqueles que pensam fora da ortodoxia do Príncipe. Chamar-nos-ão alguma vez «os Grandes»? Nunca! “


Olhei a banheira. Retirei o tampão e vi a água que me tinha lavado entrar em rodopio afunilante e barulhento. Pouco depois não restava nada. Floresciam umas gotas no meu corpo. Peguei na toalha.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Conhecer

"Hum! Conheci uma vez em Inglaterra um rapazinho que perguntou ao pai: «Os pais sabem sempre mais do que os filhos?» e o pai respondeu: «Sim». A pergunta seguinte foi: «Pai, quem inventou a máquina a vapor?», e o pai disse: «James Watt». Então o filho respondeu: «Mas porque é que não foi o pai dele que a inventou?»
(Gregory Bateson "Metadiálogos")

Afinal a terra é plana.

Pintura 5


Helen's Exile - Peter Krausz 2004

Pintura 4

Helen's Exile - Peter Krausz 2004

Pintura 3

Down to the River - Bernardo Siciliano 2001

Pintura 2


Marina - Bernardo Siciliano - 2006

Pintura 1

Jackie - Bernardo Siciliano - 2004

sexta-feira, setembro 15, 2006

Consequências coloridas de uma morte violenta

Cassiopeia-A

"Cette vue, composée de 18 images séparées prises en utilisant l'ACS (Advanced Camera for Surveys) de Hubble, montre les restes de Cas A comme un anneau brisé de filaments lumineux et d'éjecta stellaire massif. Ces remous énormes de débris flamboient sous la chaleur produite par l'onde de choc du souffle produit par la supernova. Les couleurs variées des fragments gazeux indiquent les différences de leur composition chimique. Les filaments verts lumineux sont riches en oxygène, ceux en rouge et en pourpre contiennent du soufre, et ceux en bleu se composent principalement d'hydrogène et d'azote.Une supernova telle que celle qui a donné lieu à Cas A est la mort explosive d'une étoile massive qui s'effondre sous le poids de sa propre gravité. L'étoile effondrée souffle alors ses couches extérieures dans l'espace dans une explosion qui peut brièvement éclipser sa galaxie parente. Cas A est relativement jeune, environ 340 ans. Hubble l'a observé à plusieurs reprises pour rechercher des changements dans les filaments en extension rapide. Lors de la dernière campagne d'observation, deux séries d'images ont été réalisées, à neuf mois d'intervalle. Pendant ce temps très court, les images ont permis d'observer l'expansion des débris. Un faible faisceau de débris vu en haut à gauche se déplace à grande vitesse, jusqu'à 50 millions de kilomètres par heure (de la Terre à la Lune en 30 secondes !). Cas A est situé à 10 000 années-lumière de la Terre dans la constellation de Cassiopée."

(Source: Hubble NewsIllustration: NASA, ESA, Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble Collaboration)
Informação retirada de www.techno-science.net.

quinta-feira, setembro 14, 2006

La belle de nuit