esculpices

quinta-feira, setembro 21, 2006

Poesia 4

almas frias habitadas por esqueletos.
as palavras. são álibis distraídos.
aforismos incrédulos. abrem-se
dos músculos. vomitam-se os verbos.
porque a vida rebela-se. amo o asco
e os sombrios sujeitos do quotidiano.
pretendo os limites. para jejum
da alquimia. não aceiro o vinho
que embriaga o ouro. justifico o desdém
da ignorância. é que me envergonho.
trago o rosto que sou. e vou embora.
há viagens dentro de nós. nas manhãs
esquecidas. as distâncias do absurdo
percorridas. e soçobra a sombra iníqua
da mentira. faço frente aos umbigos
e rio. para a navegação do ego
trago um barco de horas e pasmo
para celebrar. os vultos fogem.

(jorge silva oliveira)